Imperfeitos, Cecelia Ahern
- 26 de nov. de 2016
- 4 min de leitura

Imperfeitos é o primeiro livro YA da escritora Cecelia Ahern (Ps.: Eu te Amo, A lista, etc). A distopia conta a história de Celestine North, uma garota de dezessete anos que vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre e excluídos da comunidade. Celestine vive uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, e uma aluna excepcional. Seu namorado, Art Crevan, é filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan. Seria tudo perfeito se Celestine um dia não se encontrasse frente a uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor. Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita?
Comecei lendo a história através de uma promoção. Baixei os dois ou três primeiros capítulos disponibilizados pela Amazon e me interessei pela premissa: a história de uma garota que comete um erro em uma sociedade que considera imperfeição um delito e que pune os imperfeitos marcando-os na pele. Quando saiu em português, comprei.
Aqui vão dez coisas que amei nessa distopia YA:
1. Preciso admitir que a premissa da história não me convenceu totalmente no início. Se imperfeições disparassem tanto desprezo, três ou quatro situações ainda no início da história teriam levado pessoas próximas a julgamento. O que é imperfeito para mim pode não ser para você, e o alcance das imperfeições passa por tudo, desde atitudes, gestos, sentimentos até ações, certo? Mas com o passar das páginas, o concatenamento coerente de ideias foi me convencendo, (estamos falando aqui do universo YA) e quando cheguei no meio da história essa cisma já tinha passado.
2. Celestine é a protagonista e narra toda a situação. Um evento vai lança-la na difícil situação de ter que optar por se abster ou agir, e aquela ação vai mudar sua vida para sempre. Quando li aquilo na sinopse, imaginei que sua decisão fosse algo grande. Algo realmente poderoso, sabe? Mas me surpreendi com a ação que desencadeou o enredo. Adorei. A mensagem subliminar que a autora passa ali é para mim uma das grandes surpresas da trama. Grandes ações nem sempre levam a grandes resultados, mas atos como o dela mudam mesmo o mundo.
3. A autora é veterana em histórias boas, e já falamos sobre sua obra aqui. O que ela apresenta dessa vez é algo diferente, para um público mais jovem. Relevando alguns argumentos e colocações , é fantástico ver uma autora entregar uma obra profunda na medida exata para o público, para um grupo que diariamente se vê na difícil posição de tentar ser perfeito entre os seus. Amei.
4. Foi legar ver um mundo onde questões que discutimos hoje são passado. Nesse ponto, o mundo de Celestine chegou lá. (Viva a representatividade e diversidade!)
5. A história vai ganhando corpo e peso à medida que avança. Existe uma lógica nela, ação e reação, coerência, mudanças que acontecem no momento certo. Celestine muda durante a história, e a cada nova confusão, ela vai ficando mais certa, mais destemida, uma verdadeira rocha em meio à uma época da vida em que a opinião dos amigos é tudo, e ser aceita mais importante que respirar. Quando o personagem muda durante a história, vamos nos aprofundando nelas juntamente com eles. E a história vai ficando cada vez melhor.
6. A autora consegue nos colocar o tempo todo na ponta da cadeira Todo capítulo, uma pequena revelação. A cada momento, as revelações vão ficando mais complexas, e as apostas mais elevadas. O livro é um constante crescendo, e vai ganhando velocidade à medida que chega ao fim. O final é quase um corte abrupto no ápice da música. Quis jogar o livro pela janela, mas só não joguei porque vi que estão lançando a sequencia nos EUA e as respostas que quero (e informações sobre um certo rapaz forte como um soldado ) estão lá. Tenho certeza que estão. PRECISAM estar. :)
7. Adorei o Juiz. Ok, julguem-me. Mas o que dizer de um vilão quando ele é bem construído, mas na dose certa para aterrorizar e organizar os vai-e-vens da trama sem aparecer demais? Claro, eu também odiei o juiz. Mas você terá que ler para saber o porquê.
8. Ah, os triângulos.... claro que eles estariam ali também. E sempre que estão, sei por que o colocaram lá. Uma das pontas dessa conhecida figura geométrica do universo teen é um fofo, a outra é tudo de bom. Que venha a sequencia, vai. Quero descobrir como Celestine colocará fogo no mundo, e quem vai pegar fogo com ela ;)
9. Celestine me lembrou Katniss. Um ato simplório provoca uma faísca. A consequência do gesto remexe o que está sedimentado no fundo, levantando questões. Algo começa a soltar fumaça. A cada tentativa de supressão do fogo, as reações corretas de Celestine disparam novas explosões. A coisa vai saindo do controle, e quando ela vê, está incendiando a multidão.
10. Reservei o décimo ponto para fazer críticas (o que transformaria essa resenha em nove coisas que amei em você e uma que não). Não gostei das frases curtas demais. Ficou estranho, parecia que havia ali a tentativa de facilitar a leitura. Mas facilitar beeeeem, sabe? Ainda estou tentando entender se esse estranhamento foi só meu ou se eu estou acostumada com outro tipo de livros. Reconheço que faz tempo que não leio um YA, mas as frases curtas foram excessivas. Não é possível que a narrativa não comportasse estruturação mais laboriosa. Mas foi só isso.
Enfim, recomendo a leitura e aguardo o próximo livro, que se chama Perfeitos.
Imperfeitos
Autora: CECELIA AHERN
ISBN: 9788581636535
Selo: NOVO CONCEITO
Ano: 2016

















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