As memórias do livro, Geraldine Brooks
- 22 de set. de 2016
- 3 min de leitura

Breve sinopse: Na Bósnia arrasada por anos de guerra civil, um raro manuscrito judeu medieval reaparece. É a lendária Hagadá (*) de Saravejo, um volume único, que contrariava as restrições judaicas da época em relação às ilustrações. Um livro com uma história cercada de enigmas. Como esse manuscrito foi feito, apesar das restrições rabínicas? E como sobreviveu a séculos de anti-semitismo na Europa?
10 coisas que amei no livro
A primeira coisa que chamou a minha atenção: é um livro que conta a história de um livro real, a Hagadá de Sarajevo, um livro com quase 700 anos. A linha do tempo requer atenção, porque não é linear, idas e vindas acontecem no decorrer da narrativa, portanto Brooks teve muito terreno para cobrir e várias de vozes para inventar.
O livro tem uma narrativa eletrizante do inicio ao fim. Amei o suspense que a jornada precária desse pequeno livro traz conforme muda de mãos e países ao longo dos séculos. É ao mesmo tempo um romance com importantes e envolventes fatos históricos e profunda intensidade emocional,
A leitura do livro nos faz pensar no machismo que ainda permeia todas as esferas da sociedade e do mundo acadêmico, quando Hanna Heath, a personagem principal do livro, uma renomada conservadora de livros australiana é a ultima profissional a ser considerada para realizar o trabalho.
A relação conturbada de Hanna, uma solitária contumaz, com a sua bem sucedida mãe médica, solteira, feminista e auto-suficiente.( "Eu não apenas salvo vidas, Hanna. Eu salvo a mesma coisa que nos torna humanos").
O fato de que um bibliotecário mulçumano ter se arriscado e escondido um livro de origem judaica, colocando a importância histórica e artística desse artefato acima de qualquer crença ou ideal religioso.
É interessante ver o choque de gerações, a diferença de crenças e opiniões. A carência afetiva que Hanna obviamente carregou por toda a vida, expõe o que acredito ser um retrato do dilema que toda mulher moderna possui, dedicar-se aos filhos ou a carreira? Dilema esse que sua mãe não tem.
Adorei em como a pesquisa feita por Hanna a leva a diversos lugares ao redor do mundo, e o fato de ela ter que conversar e socializar com os mais diversos profissionais a fim de identificar a trajetória percorrida pelo códice.
A autora intercala a busca de Heath para descobrir a Hagadá e sua própria história com capítulos sobre cada uma das paragens da Hagadá ao longo dos últimos 500 anos. As páginas são cheias de linguagem vívida cada um descrevendo uma época da história ilustre da Hagadá.
A descrição física e a tensão sentida enquanto a autora descreve Sarajevo durante as várias guerras às quais a cidade esteve exposta é algo para se pensar em como relações, hábitos e tolerância podem mudar de uma hora para outra sem o mínimo aviso.
Por fim, chego à conclusão que o livro vai além de tentar ilustrar a história da Hagadá de Sarajevo. A mensagem alta e clara que a autora nos deixa é que ser humano é mais importante do que ser judeu, muçulmano, católico ou ortodoxo ".
*É o texto utilizado para os serviços da noite do Pessach (Páscoa), contendo a leitura da história da libertação do povo de Israel do Egito conforme é descrito no Livro do Êxodo. Por celebrar esta libertação, o Pessach é a mais importante das festas judaicas, e cada judeu tem por mandamento narrar às futuras gerações esta libertação. A Hagadá contêm a narrativa desta libertação, as orações, canções e provérbios judaicos que acompanham esta festividade. Na verdade, não existe um texto único de Hagadá: os diversos ramos do judaísmo têm suas variantes, conforme a orientação do específico rabino de cada sinagoga. Também corporações e instituições podem ter seu texto particular de Hagadá. (fonte Wikepedia) https://en.wikipedia.org/wiki/Haggadah
https://en.wikipedia.org/wiki/Sarajevo_Haggadah (em inglês)
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