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Curiosidade Mórbida: A ciência e a vida secreta dos cadáveres, por Mary Roach

  • 29 de set. de 2016
  • 4 min de leitura

Breve Sinopse: “Curiosidade mórbida é uma leitura cativante e divertida que explora a vida após a morte, mas não no sentido sobrenatural: a autora Mary Roach investiga o que acontece com os cadáveres, revelando que eles têm rotinas inesperadas e surpreendentes. Por dois mil anos, eles estiveram envolvidos nas descobertas e pesquisas científicas mais ousadas: foram cobaias nas primeiras guilhotinas da França e, os primeiros a navegarem em foguetes da Nasa e estiveram presentes em todos os novos procedimentos cirúrgicos, fazendo história de forma silenciosa. Nesse relato fascinante, Mary Roach faz uma análise histórica dessas contribuições ao longo dos séculos e, com seu jeito único, revela o que nossos corpos fazem depois que os deixamos para trás.”

Curiosidade mórbida é um desses livros que você escolhe ler por características próprias e únicas a você. É difícil recomendar um livro assim: tenho certeza que se você se interessou e está lendo essa resenha, compraria o livro apenas pelo nome. Nem todos que conheço gostam de não-ficção que incluem no índice para catalogação palavras como ‘cadáveres’ e ‘dissecação humana’.

O livro é na verdade isso aí: o que acontece com os cadáveres que são doados para a ciência? O que as escolas de medicina e seus laboratórios de anatomia, as farmácias medievais, os fabricantes de carros e cientistas (muitas vezes malucos) fazem com o que sobrou de alguém depois que sua alma foi pro beleléu?

Seguem os dez motivos pelo qual recomendo esse livro curiosíssimo:

1. Para começar, o livro é recheado de humor. Se você se pergunta que tipo de humor pode-se fazer sobre gente morta, leia Mary Roach. Há humor no pós-morte, sério! Há também leveza, propósito e um senso de importância até então desconhecido (digo por mim)no ato de doar-se à ciência. Eu terminei o livro com um sorriso no rosto, e não raras foram as vezes em que gargalhei sozinha.

2. O livro é dividido por áreas de ‘atuação’ dos cadáveres: medicina, investigação forense, indústria da aviação e automobilística, guerra, campo de conhecimento religioso, e, claro, curiosidades gerais – até culinária entra no pacote. O que fica depois da leitura não é a imagem dos mortos, mas uma enorme admiração (e espanto) pelo mundo dos vivos! Nós somos loucos, essa é a minha conclusão. E curiosos, metidos a médicos e inovadores, mesmo quando involuntariamente.

(E, repetindo, somos muito doidos. )

3. Adorei a quantidade de informação. O livro inteiro é recheado de exemplos esdrúxulos e excentricidades reais, de dilemas pessoais e existenciais, de histórias sobre resgate de corpos, sobre a incansável sede de conhecimento humano, e de coisas que jamais me servirão para nada além de entreter a turma em torno da mesa de um bar. Sei no mínimo mil coisas a mais que sabia ontem. Sei um monte de coisa sobre gente morta! Enfim, sou dessas. Se você é também, divirta-se.

4. A morte traz inúmeros questionamentos, e quase todos angustiantes. Descobri que ler sobre ela nos ajuda a elaborar algumas questões (Dessensitização? Talvez). Sua angústia de morte continuará intacta, não se preocupe, mas ver a coisa sob outro prisma traz um certo alívio pessoal.

5. Todos os capítulos são igualmente interessantes? A resposta é um sonoro não. A dos cadáveres usados pela indústria automobilística, por exemplo, achei chato —mas não por causa dos cadáveres, e sim por causa da indústria :)

6. Você nunca mais olhará para arroz trufado e canja de galinha da mesma maneira. E aposto que, se não ler o livro, morrerá sem saber que existe uma substância chamada putrecina e outra chamada cadaverina que são, por assim dizer, altamente auto-explicativas e de forma alguma agradáveis.

7. As peripécias mentais da autora, que costura assuntos diversos dentro do tema me arrancaram gargalhadas. Em certo momento ela começa a falar sobre o coração, e seu papel como detentor de nossas emoções e espírito. Esticando o pensamento, a autora volta lá na Babilônia, onde, ao contrário de chineses, egípcios e do homem moderno, o povo creditava ao fígado a posse da nossa alma.

Como seria não ter o coração no centro da retórica amorosa? Mary Roach filosofa. Como seria se desenhássemos um belo fígado no final de nossas cartas de amor, ou um “Eu (fígado) você”? Se quisesse deixar esse texto ainda mais interessante (ou achasse um ícone de um fígado), escreveria: “ Eu simplesmente [fígado] escrever essa resenha!”

8. Você sabe como a indústria mortuária deixa o cadáver esteticamente agradável? Então, eu sei.

9. Laborde. Pare tudo, e leia apenas a parte de Laborde. As peripécias de Laborde me fizeram chorar de rir. As maluquices sobre as quais falei mais cedo são dele. Laborde é simplesmente o quarto integrante dos três patetas, o amigo sinistro do professor Pardal; a inspiração para Mary Shelley e o motivo de eu ter ADORADO o livro.

10. Curiosidade Mórbida é um texto jornalístico, porém escrito de maneira especial. As viagens que ela fez para pesquisar o tema são impressionantes, e mal parecem fatos reais (mas são). O que Mary Roach conseguiu, com o livro, foi passar um tema esquisito da maneira mais legal que eu já vi. Sim, a palavra é essa mesmo. Curiosidade Mórbida é um livro legal.

Título original

STIFF: THE CURIOUS LIVES OF HUMAN CADAVERS

Páginas: 272

Lançamento: maio de 2015

ISBN: 9788565530958

Selo: Paralela, Companhia das Letras

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