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A Visita Cruel do Tempo – Jennifer Egan

  • 9 de out. de 2016
  • 3 min de leitura

Breve sinopse: "Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Sasha é sua assistente cleptomaníaca. E é a partir da história desses dois personagens que Jennifer Egan retrata, em uma narrativa caleidoscópica, a passagem do tempo e a transformação das relações. Da São Francisco dos anos 1970 até a Nova York de um futuro próximo, a autora cria um romance de estilo ímpar sobre continuidade e rupturas, memória e expectativas. Surpreendente, A visita cruel do tempo combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas."

Nunca havia lido nada sobre Jennifer Egan, mas a palavra “vencedora do Pulitzer” na capa do livro me pareceu uma referência suficiente.

Assim que comecei a ler, saquei na hora: Ah, essa autora é daquele tipo: o tipo bom de escritora. Afofei o travesseiro, preparei um cappuccino e mergulhei no mundo que ela oferecia. E que mundo... !

Aqui vão as dez coisas que amei em A Visita Cruel do Tempo:

1) Não há nada amador na escrita de Egan. Ela domina as palavras como um artesão experiente domina seu ofício. As palavras são do tipo que, de tão pertinentes, fazem um escritor amador (como eu), deslumbrarem-se com a montagem das frases.

2) O tema que ela escolheu falar, o tempo, é para mim um dos assuntos mais difíceis de descrever em um livro. Como fazer o leitor sentir a passagem do tempo? Podemos mensurá-lo, claro, para isso existem estações e folhinhas de calendários, mas senti-lo, sentir aquela nostalgia do tempo que passou e você não conseguiu segurar é complicado, mas ela consegue.

3) A via, no entanto, pela qual ela atinge isso não agradaria a todos. Agradou a mim. Adoro alinearidade e narrações interrompidas para serem retomadas mais tarde. Ela usa e abusa desse recurso, e a própria sensação que deixa, ao final, é que a história transcorreu como o tempo transcorre no mundo: costurando histórias, descosturando outras.

4) Nesse livro eu li o mais estranho capitulo da minha vida, narrado em segunda pessoa e que me confundiu de tal maneira que simplesmente não consegui terminá-lo. Simplesmente pulei aquela parte.

5) Os personagens de Egan fogem do ordinário, mas mudam com o tempo. É isso, afinal, o que o tempo faz, não? Ele muda as pessoas. E a mudança que elas sofrem é tão inquietante e redentora, tão humana e imprevisível (mas ao mesmo tempo previsível, vai entender...) que no final só nos reta aplaudir o completo domínio que ela teve com as palavras.

6) Que existe uma inquietação e genialidade na loucura, isso a maioria de nós sabe. Mas Egan consegue, em um capítulo, abarcar toda a dicotomia da mente incompreendida, e eu só posso bater palmas para ela outra vez.

7) Adoro um recurso que ela usou de costurar histórias do presente com histórias do passado, mas não com as mesmas pessoas, e sim netos e bisnetos dessas pessoas, personagens terciários mencionados no início do livro que aparecem como ainda terciários no final, em um futuro distante. (Além de voltar a personagens no final que só tinha mencionado no início, uma loucura). Se isso não é a própria essência do tempo, o que seria?

8) um ponto que não amei, e outros também não vão gostar, é a quantidade de personagens que aparecem. A gente se perde com tantos nomes, mas eu, que sempre tive um problema com nomes, não liguei. Eventualmente eu descobria quem era a pessoa e seguia em frente com a leitura.

9) Nostalgia. Se você gosta de ter esse botãozinho do cérebro acionado por histórias, vai adorar A visita cruel do tempo.

10) O final é de arrepiar o cabelo do braço, e sim, eu também senti algo zunir, - extremamente cruel e rápido, - passando pelo ouvido. Foi o tempo, sem dúvidas. Mas dessa vez não o perdido, e sim ganho por ter escolhido esse livro para ler.

A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan

Edição: 2012

Editora: Intrinseca

I.S.B.N.9788580571295

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© 2016 por Dez Coisas que amei em você.

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