Silber, Kerstin Gier
- 28 de ago. de 2016
- 4 min de leitura

Essa é uma trilogia alemã que já foi traduzida para o português pela Editora Martins Fontes, mas não encontrei ainda para a compra no Brasil (deveria ter saído ano passado... Editora Martins Fontes, quando teremos essa preciosidade em mãos? <3 ). Kerstin Gier é a autora dessa fantasia leve, divertida, mas, ao mesmo tempo, cheia de suspense que mesmo eu, que já não sou adolescente há muito tempo, devorei!
Breve sinopse: Liv Silber e sua irma Mia se mudam para Londres, pois sua mãe vai ministrar Literatura Inglesa em Oxford. Para as duas adolescentes (15 e 12 anos) é um sonho que se torna realidade: finalmente uma casa onde vão ficar mais tempo, depois de seis mudanças de endereço, escola, país e idioma nos últimos seis anos. Porém sua mãe resolve morar junto com o novo namorado e os seus filhos, e Liv se envolve numa aventura que nunca imaginara: numa noite, num sonho, ela atravessa uma porta e cai num corredor onde vê diversas outras portas, e acaba abrindo uma que parece com a sua nova casa londrina. Ela constata que se encontra no sonho do seu novo meio-irmão e acaba se envolvendo com ele e seus amigos numa trama sobrenatural, que começou com uma conjuração ao demônio e os levou, literalmente, ao mundo dos sonhos e coloca Liv em perigo de morte.

1-Amei o enredo. A ideia de poder entrar no mundo dos sonhos é fantástica. No livro, cada um de nós possui uma porta no corredor dos sonhos, decorada de acordo com a própria personalidade. Inconscientemente cada um dos personagens coloca um dispositivo de segurança na porta (cadeados, uma charada, um vigia) para evitar que intrusos descubram seu mundo e seus segredos. Por trás dessa porta, suas esperanças, medos e planos. Uma grande sacada da autora: a porta de cada um é o seu eu verdadeiro, e a tarefa dos personagens é impedir a entrada de estranhos (no seu inconsciente, na sua vida).
2-Kerstin Gier consegue apresentar temas de interesse de todas as idades e assim mesmo ser fiel ao seu público (adolescente, mas você pode ler se tiver mais de 20, 30, 40, 50…. Tenho certeza que vai adorar). Conjuração do demônio, ritual das sombras num cemitério e o poder do inconsciente no mundo dos sonhos e sua influência na vida dos personagens são temas complexos, e a autora consegue apresentá-los de uma forma atraente, de tirar o fôlego. Mesmo assim, os temas da pauta adolescente estão lá: baile, blog de fofocas, bullying, virgindade e primeiro amor. Mas se você for mais velho nem vai ligar. O mundo dos sonhos vai te prender.

3-As personagens não são completamente boas ou más. A autora surpreende em diversos momentos com o comportamento egoísta ou altruísta de alguém de quem não se esperava. Inclusive Liv, a personagem principal, tem momentos em que erra feio. As pessoas só são elas mesmas quando o leitor tem a chance de enxergá-la por trás de sua porta. Aliás, com o desenrolar da história, todos vão se tornando na vida real cada vez mais como são nos sonhos, a partir do momento que conhecem melhor o corredor. Ou seja, o inconsciente vai migrando para o consciente e as personagens mostrando sua verdadeira face.
4-A trilogia transporta o leitor de uma forma encantadora e não se assuste se você sonhar com a sua porta. A descrição das portas é feita de forma tao rica que você se surpreende imaginando se isso seria possível, se a autora realmente inventou tudo isso ou se existiria uma possibilidade de ser verdade.
5-Aliás, o tema não é novidade: na ciência existe a definição de Sonho lúcido, de LaBerge que é o termo que se refere à percepção consciente que temos de um determinado estado ou condição enquanto sonhamos, resultando em uma experiência da qual temos uma recordação muito clara (“lúcida”) e nítida, na qual é possível o controle e capacidade direta sobre nossas ações e, algumas vezes, o próprio desenrolar do conteúdo do sonho.
6. A capa do livro é linda, cheia de símbolos que podem ser encontrados na trama nas portas de diversos personagens. Ah, e as páginas são decoradas com motivos florais. Um presente a mais para o leitor.
7. Amei uma personagem coadjuvante, a única alemã nesse livro de autoria de uma alemã. Lottie, a garota que um dia chegou na família para um intercambio de um ano como Au-Pair e ficou oito anos, salvando as duas meninas no dia a dia e indo com elas e sua mãe para diversos países. Lottie é gente boa, positiva e cozinha muito bem. Aliás, ela tem biscoitos e bolos para cada ocasião e estado de humor e cuida de tudo e de todos. Impossível não se apaixonar por ela!
8. O livro tem um apoio midiático enorme. Na página da internet (http://www.silber-trilogie.de/silbertrilogie/start) é possível, entre outras coisas, criar e decorar sua própria porta. Há também um link para o blog (http://www.tittletattleblog.de/) onde são feitas postagens maldosas e cruéis sobre diversos alunos da escola. A autoria do blog é um mistério desde o início do livro, e como o blog surgiu desde o primeiro livro (houve um intervalo de um ano entre cada um), a maioria comentários do blog são reais, de leitores que foram interagindo desde o primeiro momento. Fantástico!
9. O bom humor dá o tom no livro. Impagáveis são os monólogos de Liv e os apelidos que ela e sua irma dão a alguns personagens. Divertidas as comparações, as confusões em que a personagem se mete, as transformações e disfarces no mundo dos sonhos. E Liv não é a mais bem-humorada das pessoas, justamente isso dá um tempo engraçado e divertido à obra.
10. Adorei a autora. Kerstin Gier (1966) é autora alemã de ficção romântica. As duas obras mais conhecidas são a trilogia Rubi, Safira e Esmeralda (que virou filme). Eu não sei se eles são tao conhecidos no Brasil como aqui na Alemanha, mas independente deles acho que Silber tem tudo para ser um sucesso por aí, como foi por aqui.


















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