O Conto da Aia, Margareth Atwood
- 24 de abr. de 2016
- 2 min de leitura
"Somos úteros bípedes, nada mais: vãos sagrados, cálices ambulantes."

Breve sinopse: Em um futuro próximo, onde antes eram os Estados Unidos está hoje Gilead, uma nação fundamentalista cristã que separou o país em classes. É nesse futuro sombrio que conhecemos Offred, uma mulher que ocupa a mais estranha das castas: a aia.
Vamos lá. O que eu amei nesse livro?
1. Esse livro é uma distopia, leitura indispensável para quem gosta do gênero, assim como 1984 e Admirável mundo novo;
2. A escrita dessa autora canadense (considerada a melhor escritora de língua inglesa de seu país) é mágica. Densa, profunda e cheia de camadas. Tive que parar de ler várias vezes só para pensar no que ela escreveu;
3. Além de exímia contadora de histórias, Atwood é também engajada em questões de gênero e meio ambiente (é um desastre ambiental que levou, de certa forma, as mulheres de Gilead a ocuparem a estranha posição que ocupam);
4. Se você gostou de Jogos Vorazes e viajou imaginando como seria a vida em um regime totalitário, você descobre no Conto da Aia como seria viver sob o braço de ferro de fundamentalistas cristãos. Contudo, não espere ação na narrativa; O conto da Aia é literatura pura;
5. A realidade criada por Atwood é contemporânea e estranhamente possível, por que sabemos que regimes patriarcais ainda tomam o poder de países inteiros e mulheres são propriedade de seus maridos/ pais/irmãos em muitos cantos do mundo. Segundo a própria autora, sua obra a deixou ao final de cabelos arrepiados.
6. O livro chacoalhou alguns conceitos que eu tinha a respeito das mulheres. Nunca mais as vi (e me vi) da mesma maneira, ele ´o marco zero do meu feminismo. É o tipo de livro que nos move alguns centímetros para a frente.
7. O Conto da Aia provoca arrepios durante a leitura. A trama é sombria, assustadora, estranhamente atual—mesmo depois do movimento feminista ter crescido, mesmo depois do livro ter quase trinta anos de idade;
8. Se você fechar o livro e não se perguntar “o que aconteceria comigo se isso acontecesse no Brasil?” ou “como eu viveria em uma situação dessas”? Você não entendeu a mensagem.
9. Existe uma familiar hipocrisia embutida na história que nós, brasileiras, conhecemos muito bem; um certo discurso de moralidade e bons costumes que cai por terra quando entra em cena o desejo e nos faz questionar quão longe estamos dessa sociedade ou quão perto aquela sociedade está da nossa.
10. Ao fim da leitura somos invadidas por uma estranha percepção de que somos as procriadoras, curadoras finais da continuação do mundo. Em uma sociedade onde não se gera mais filhos, nossa ‘função’ se torna não apenas evidente, mas motivo de disputa. É um paradoxo; à medida que perdemos valor, somos valiosas demais para vivermos sob nossas próprias regras. Durma com um cenário desses...
Editora: ROCCO
Ano: 2006

















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